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Sempre que puxam o tema da alimentação cá de casa, tento instalar-me confortavelmente, porque sei que temos conversa para umas cinco horas. Desde que o homem se lhe passou uma coisinha má pela cabeça e decidiu que ia comer folhas de alface para o resto da vida (olhem os veganos já a a ficar nervosos) que as coisas mudaram ligeiramente. Mas apesar de todos continuarmos a comer carne e peixe — quem me tira um bitoque ou um peixinho tira-me tudo —, temos tentado fazer escolhas mais saudáveis, que não envolvam tanta gordice e que, ao mesmo tempo, sejam práticas e rápidas de preparar, que não tenho cá vida para estar duas horas na cozinha a cada refeição.

No que toca à Beni, ainda não dá para perceber muito bem. Para já, vai comendo as suas sopas e cenas de bebé com relativa indiferença, nem muita alegria nem muita tristeza, tem dias. Já o Mateus, é um pequeno terror gastronómico. É esquisitinho, nada o faz realmente feliz mas, com mais ou menos conversa, vai acabando por comer de tudo. Incluindo as  esquisitices veganas que o pai prepara (blhéc) e que, na maioria dos casos, nos servem  a nós, não-veganos, como acompanhamento a uma proteína animal, seja carne ou peixe. 


Como em tudo na vida, também na alimentação não gosto de ser extremista. Se há dias em que estamos mais atolados, despachamos a coisa com uma pizza ou uns hamburgeres e está o caso arrumado. Até porque um dia não são dias – e mesmo que tenha perfeita noção que aquelas gorduras me vão ficar alojadas nas coxas até para aí 2023. O certo é que, na grande maioria das vezes, comemos ou carnes brancas ou peixe, que é talvez o que mais entra cá em casa logo a seguir às beterrabas, cebolas (nojoooooooo), couves, feijões e tudo mais que os veganos comem. Bem sei que passo a vida a gozar com isto, mas levo esta decisão do homem muito a sério e, como já disse, só não sigo o mesmo caminho porque, para já, a alegria de comer um ovinho, uma manteiguinha nas torradas, um iogurtinho ao pequeno-almoço, ou um bifinho ao jantar, é superior ao resto. Portanto, ele que seja feliz com as suas lentilhas que eu sou feliz com o meu peixinho grelhado.

Se há peixe que consumimos MUITO cá em casa é o salmão, e regra geral, tento comprar sempre o da Noruega. É aquele peixe versátil, saudável — está ali carregadinho de Ómega 3, proteínas, vitamina A, D e B12, como se quer —, rápido de preparar e os putos até acham alguma graça a comer um peixe que é cor de laranja. É daquelas coisas que tenho sempre para uma emergência. Tira-se do frigorífico, tempera-se com meia dúzia de coisas, mete-se no forno, numa frigideira com azeite ou num grelhador e está feito em menos de nada. 

Na loucura, até podemos comê-lo cru, em sushi, ceviches ou tártaros, que é só cortar e temperar. E não me venham para aqui com esquisitices e sensacionalismos a dizer que estou a encher os putos de parasitas, porque o Salmão da Noruega pode comer-se cru. Como provém de aquicultura marítima, cresce num ambiente super controlado em que está livre de parasitas. Podem respirar de alívio!

Claro que nisto de comprar peixe há uma série de cuidados a ter em conta, precisamente para evitar alguns desses problemas que deixam toda a gente stressadinha e a pensar que quero envenenar as crianças. É por isso que quando vamos comprar peixe fresco, convém inspeccionar uma série de coisas. A saber:

— Se as escamas estão intactas e brilhantes;
— Se o corpo do peixe está liso;
— Se cheira a fresco e a água do mar, quase como se fossem ostras;
— Se os olhos estão claros e com as pupilas escuras e brilhantes;
— Se tem as guelras brilhantes e vermelhas, sem manchas acinzentadas;
— Se carne está firme e elástica (esta é melhor fazerem em casa, para não passarem por maluquinhos na fila da peixaria)
Tudo isto faz com que pareça uma louca nazi do peixe, mas são coisas tão naturais que ninguém vai reparar que estão a olhar com ar de inspetor da PJ para os lombos e postas de Salmão da Noruega enquanto esperam na peixaria. Se reparar nalguma coisa estranha, tipo um mau cheiro ou umas escamas assim com ar de quem não vê mar há três meses, recuo logo e deixo as compras para outro dia, para não correr riscos mas, regra geral, não costuma haver problema. 

E por falar em salmão e coisas práticas, se tiverem por aí receitas assim para lá de espetaculares — sem cebola, pelo amor da santa — com salmão, façam o favor de partilhar aqui com esta que vos escreve. Temos de ser uns para os outros, meu amigos, que isto não está fácil para ninguém.














*Post em parceria com Seafood From Norway