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O Mateus é ligeiramente fanático por dinossauros. Não sei muito bem como é que a coisa se deu mas, de repente, começou a saber o nome de não sei quantas espécies e respectivas características. Eu ficava (fico) sempre a olhar para ele com um ar entre o admirado e o assustado, do género “como raio é que ele sabe isto tudo?”. Mas, a verdade, é que sabe, e já viu o Jurassic Parker não sei quantas vezes, e adora aqueles brinquedos da Science4You em que tem de escavar uma pedra para chegar a um dinossauro… Enfim,  gosta mesmo do tema.

Já andava para levá-lo ao Dino Parque há uma vida, mas andávamos sempre a adiar, até que, no fim-de-semana passado, lá nos pusemos nós a caminho da Lourinhã. Isto dito assim parece que estamos a falar de uma viagem de carro de cinco dias, mas não. O parque fica a menos de uma hora de Lisboa, chegámos lá num instante. Propositadamente, não quis ler nada sobre o parque antes de irmos, para que fosse uma surpresa para todos. Pronto, sabia que era dedicado aos dinossauros (spoiler alert!), mas não fazia a mínima ideia do que iria encontrar por lá. E, talvez por isso, tenha ficado tão surpreendida.

Para começo de conversa, estamos a falar do maior parque temático da Europa. E é mesmo, mesmo grande, por isso não falta o que fazer por ali. No nosso caso, começámos pelo laboratório, onde pudemos ver alguns fósseis originais a ser preparados, nomeadamente um ninho de dinossauro com mais de 150 milhões anos, descoberto nas arribas de uma praia do Oeste. É um trabalho moroso e minucioso, para que as peças possam ser preservadas ao máximo, e não deixa de ser um bocadinho avassalador estar ali a centímetros de uma coisa com aquela “dimensão temporal”. Para quem não sabe, a Lourinhã é uma das maiores zonas de achados de dinossauros do País e vários deles estão ali, no Dino Parque, para que todos possam vê-los, numa exposição chamada “Dinossauros da Lourinhã”, que integra fósseis originais e algumas réplicas.

Apesar de esta primeira parte da visitar ser realmente interessante, o Mateus estava mesmo, mesmo desejoso era de ir lá para fora explorar o parque. Fomos acompanhados na visita pelo paleontólogo e director-científico do parque, Simão Mateus, o que tornou tudo ainda mais interessante. Quando temos alguém que percebe realmente do assunto a partilhar connosco uma parte daquilo que sabe e a responder às nossas perguntas (absolutamente amadoras), aproveitamos muito melhor a visita.

No exterior o parque está dividido em cinco percursos, cada um deles dedicado a um período da história da Terra. Nós começámos pelo período Cretácico, que era aquele que tinha os dinossauros que o Mateus conhecia melhor (como o Tiranossauro Rex) , mas há também o Paleozoico (um período que começou há 419 milhões de anos e que apresenta os animais que habitaram a terra antes dos dinossauros), o Triásico (com os primeiros dinossauros) e o Jurássico (onde podemos ver algumas das espécies únicas da Lourinhã). Em cada um dos percursos temos dezenas de réplicas à escala de uma data de dinossauros, num total de mais de 180 modelos. E como os vemos ao ar livre, no meio das árvores, e conseguimos ouvir os sons que faziam, acho que dá para ter uma ideia bastante real de como seria aquela época.

Eu fui o tempo todo de boca aberta, porque é praticamente inacreditável pensar que aqueles bichos, com aquele tamanhão todo, andaram um dia a passear-se pela terra. Perguntei várias vezes “mas isto era MESMO o tamanho deles???”. E é ainda mais inacreditável, e triste, pensar que de mais de três mil espécies, nenhuma sobreviveu. Ao longo da visita fomos sabendo algumas curiosidades e características sobre os vários animais: porque é que uns tinham penas, porque é que outros tinham a cabeça em forma de bola, porque é que tinham as garras em determinada posição, o que é que comiam, por que países é que andavam. Acho que o Mateus aumentou bastante os seus conhecimentos sobre dinossauros.

Uma das novidades do Dino Parque é o quinto percurso, dedicado exclusivamente aos Monstros Marinhos, uma viagem à descoberta de cerca de 30 dos maiores e mais fantásticos (e um bocadinho assustadores) que habitaram mares e lagos ao longo de 450 milhões de evolução. Tipo, um tubarão com 14 metros, um crocodilo XXXXXXL (o Sarcosuchos, que viveu em Portugal e que era capaz de comer dinossauros… medoooo!), um cachalote ou uma lula gigante.

Se querem percorrer os cinco trilhos em modo visita guiada, convém que vão com tempo. Explicava-nos o Simão Mateus que é fácil passar ali o dia todo, porque há mesmo muita coisa para ver. Há vários espaços de restauração no Dino Parque, mas há também uma grande zona de picnic, por isso se quiserem ir lá passar um dia e levar o farnel para a família, sintam-se à vontade.

A nossa visita acabou no Pavilhão de Actividades, onde o Mateus esteve entretido a escavar um fóssil (de brincar, calma, nenhum património arqueológico foi destruído) e a fazer outras brincadeiras. No final ainda nos obrigou a passar pela loja e lá trouxe um ovo de dinossauro que se põe na água e leva não sei quantos dias até o bicho nascer. Ainda não tínhamos passado a porta de saída e já ele estava a perguntar se podíamos voltar, o que me levou a concluir que a visita foi um sucesso.

O Dino Parque tem pouco mais de um ano e já recebeu mais de 450 mil visitantes. Pessoalmente, deixa-me muito orgulhosa que Portugal tenha um espaço como este, que se dedica a preservar a memória de um período importante da nossa história, que a ensina de uma forma lúdica e pedagógica  a pessoas de todas as idades e que, sobretudo, continua a apostar na investigação, para que todos possamos continuar a aprender mais.

O parque está aberto todo o ano, a partir das 10h00. As crianças entre os 4 e os 12 anos pagam 9,90€, e os adultos 13€, mas também há bilhetes de família e de grupo a preços mais acessíveis. Aproveitem que agora está bom tempo para darem um salto até lá, porque vale mesmo, mesmo a pena.