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Ainda na semana passada vos falei aqui da boa relação que tenho com as farmácias. Gosto de farmácias, pronto. Sempre gostei, é uma coisa que vem de miúda, e à medida que fui ficando cada vez mais hipocondríaca esta relação acentuou-se. Gosto sempre de saber que tenho uma ali à mão de semear e já perdi a conta ao número de vezes que recorri à aplicação das farmácias para saber qual é que era a de serviço nas mil e uma noites em que precisei de qualquer coisa.

Para quem mora em bairros no centro de Lisboa, como eu, encontrar uma farmácia não é propriamente um problema, parece que há sempre uma em cada esquina. Quando mudei de casa esta última vez não foi difícil encontrar logo duas ou três num raio de 200 metros às quais posso recorrer sempre que tiver uma dor ali para a zona do fígado que não tenha explicação possível ou uma dor de cabeça que eu associe imediatamente a um aneurisma prestes a rebentar (sucede-me muito).

Assim que conheci uma das farmácias do meu novo bairro percebi que as rotinas não mudavam muito em relação àquela onde ia antes. É chegar e ver os velhotes ali da zona a contarem os seus dramas aos farmacêuticos, a aviarem as suas receitas enquanto mostram as fotografias dos netos e a tentarem descrever aquela dor nas costas que não os larga há mais de vinte anos. No fundo, a farmácia para estas pessoas acaba por funcionar quase como um espaço de convívio e é uma forma de não se isolarem em casa sem nada para fazer, ninguém com quem falar (e, meus amigos, ninguém está livre disto).

O que talvez não seja muito conhecido é que a redes de farmácias atravessa um período difícil e as  zonas mais afectadas são, claro, os meios mais pequenos e rurais onde, ao fechar uma farmácia,  as pessoas têm de andar mais de meia hora para conseguirem chegar a outra, o que nem sempre é possível.

E, se calhar, é importante partilhar aqui alguns números:

– Sabiam que 25% das farmácias em todo o País — qualquer coisa como 675  — estão em risco de fechar por não terem condições financeiras para se manterem em funcionamento? As farmácias têm prejuízo para garantirem às pessoas a dispensa dos medicamentos comparticipados pelo Estado e, à conta disto, uma em cada quatro farmácias está em situação de insolvência ou de penhora;

– Sabiam que um estudo da Universidade de Aveiro mostra que, em 2016, duas em cada três farmácias tiveram resultados negativos de 3.836€ com a dispensa de medicamentos comparticipados?

– Sabiam que a Troika compreendia uma redução de 50 milhões de euros nas margens de farmácias e distribuidores que as medidas de austeridade aplicadas pelos governos levaram a um corte de 284 milhões de euros?

– Sabiam que a Lei determina que o preço dos medicamentos resulte da média dos preços praticados em Espanha, França, Itália e Eslovénia mas o critério apenas é aplicado à indústria farmacêutica, penalizando as farmácias em mais de 200 milhões de euros?

Pois, eu não sabia. E tudo isto acontece num momento em que a grande maioria dos utentes das farmácias estão contentes com o serviço dos profissionais que ali trabalham diariamente. Foi precisamente  por isso que foi lançada uma petição pública com o objetivo de salvar todas estas farmácias que estão em risco de declarar falência. 

Claro que este é um problema que afeta muito mais os meios mais pequenos, mas até nas grandes cidades há farmácias de bairro que estão em risco de fechar. Isto é um problema para a hiponcondríaca que vive em mim. E se a minha farmácia fecha? Hmmm? A quem é que vou falar de todas as minhas maleitas, dores e problemas, ainda que só vividos num plano mental? A pessoa já não vai para nova, imaginem que me esqueço de lhe contar qualquer pormenor e me dizem que tenho uma coisa quando, na realidade, tenho outra totalmente diferente? E imaginem que me falta leite para dar à miúda a meio da noite, como é que vai ser? A pequena texuga vai ter de passar fome até conseguirmos encontrar-lhe alimento na manhã seguinte? Fora de brincadeiras, e quem precisa das farmácias numa base recorrente, quem não pode deslocar-se quilómetros até à próxima farmácia?

Por isso, meus amigos, tudo a assinar a petição e a aderir ao movimento #salvarasfarmacias e a salvar a petição que está no site para não corrermos o risco de ficar sem a farmácia lá do bairro, que tanta falta me nos faz. Eu já assinei, tratem disso depressa!